
O Incrível Hulk eu achava interessante e também lia, mas nunca fui lá um grande fã do Gigante Esmeralda. Exceto quando ele lançava pérolas como: "Hulk esmaga homenzinhos" e "Homenzinho estúpido matou amigo Hulk". Vocês podem notar que o Hulk, assim como o Pelé e eu, é adepto da terceira pessoa do singular.
O Capitão América também tinha título próprio pela Abril; eram boas histórias, com bons desenhos, porém nada de especial. Eu gostava, contudo. Na época eu não tinha lá muito senso crítico para diferenciar o ufanismo utópico do Capitão, eu o via como um herói qualquer. Quando releio o CA dessa época, dos fins dos anos 80 e começo dos 90, se via que a influencia pró-America não era tão forte, mas existia (afinal, era época de Reagan e do Bush-pai). Eu não entendia merda nenhuma disso. Hoje, as histórias do Capitão são repletas de caçadas a terroristas. O sucker desavisado pode até não saber, mas em uma dessas caçadas no Oriente Médio, Steve Rogers realmente matou Bin Laden e decretou a paz e a ordem no mundo novamente. Ridículo. Por isso não leio nada do Capitão desde 1998, ficou tudo muito cretino.
A Espada Selvagem de Conan, em preto e branco, escrita por Roy Thomas e desenhada por John Buscema, era fantástica, puta revista boa. Lá eu vi Conan ser rei, ser pirata, depor monarcas tiranos, ser um audaz ladrão e engalfinhar milhares. Histórias de capa e espada muito especiais e feitas com muita inspiração.
A cada três meses, surgia nas bancas uma edição especial da Abril, a saudosa Grandes Heróis Marvel, com arcos de histórias selecionadas, todos os meses com convidados especiais.
Quando HTV foi descontinuada em 1988 (creio eu), a revista mensal dos X-Men surgiu, com histórias realmente boas e humanas, focadas em cunho social e temas anti-racistas em meio a batalhas campais. Literatura pura, caros Fuckers. Razão com emoção. Tudo o que um homem sério poderia desejar no alto de seus 7 a 100 anos de idade.
Impossível descrever, de uma tacada só, minha perspectiva sobre as histórias célebres e marcantes de cada uma das HQ´s supracitadas, mesmo porque, elas representam apenas parte da minha admiração por quadrinhos. Pouco a pouco, vou dissecar e falar de tudo oportunamente. Prometo isso a vocês, fuckers.

Porém, e tudo na vida tem um porém, o jocoso sucker dirá, enquanto experimenta as calcinhas de sua esposa: "Mas Cabelo, do que você está falando? Eu conheço os X-Men, o Homem-Aranha e o Hulk pelos filmes e desenhos animados, ninguém lê esses gibis!". O problema é que esse pederasta tem razão no que concerne à divulgação das HQ´s. Não bastasse o leviano e pejorativo termo "gibi", o grande público tupiniquim, mais preocupado com suas fantasias de carnaval, ignora o potencial real dos quadrinhos. Aqui, são chamados de "coisa de criança".
Mais de uma vez, vi mães bigodudas negarem aos filhos a compra de um exemplar do Homem Aranha ou X-Men. Quando muito, compram o Donald ou a Mônica. Nada contra Disney e Mauricio, eu gosto de ler também suas publicações, especialmente ao dar um rápido cagalhão.
Enfim, quando o material chega às casas das pessoas por mídias mais difundidas, todo mundo gosta. Ora, “mas por quê?”, me pergunta o homossexual sucker. Porque o material é bom, caralho. E saibam que eu geralmente detesto adaptações cinematográficas ou desenhos animados baseados em HQ´s. 80% do que sai é merda, não corresponde à plenitude do potencial dos personagens (PS: acho imbecil escrever AS personagens ao invés de OS personagens. Logo, vou escrever como eu quero). Mas nesse resquício de qualidade, nesse verdadeiro lampejo, a turma dos quadrinhos cativa, comove e vende. E como vende. Quem não viu ou X-Men ou Homem-Aranha no cinema que dê shut down agora e vá à merda. Todo mundo viu!
Aí, é que a coisa piora, caros Fuckers... sigam meu raciocinio com o exemplo categórico dos X-Men, criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963. Os mutantes têm uma carreira de mais altos que baixos nas HQ´s por quase 30 anos, angariando uma legião de fãs e seguidores. Aparece então, um desenho animado de qualidade acima da média, voltado para o publico adolescente, em meados dos anos 90. O desenho faz um puta sucesso, porque o material é bom e foi feito com esmero na sua versão televisiva. Anos mais tarde, sai o esperado longa, em 1999 ou 2000, não lembro exatamente. Puta filme também, embora contendo algumas questionáveis alterações. Os uniformes por exemplo. O filme gerou tantos dividendos que então presenciamos uma onda frenética de novos lançamentos de adaptações de clássicos Marvel: Homem Aranha, Hulk, Demolidor, Quarteto Fantástico, Elektra e, óbvio, as seqüências. Muitos desses foram grandes merdas, para ser bem sincero, mas outros cumpriram a seu propósito e foram muito bem, em qualidade e bilheterias.
Fuckers, pois surge então, um fenômeno: um ciclo vicioso criativo, pois na esteira do sucesso dos filmes, os publishers da Marvel (e da DC também, pois a coisa respingou por lá, vide Batman Begins e esse novo filme do Superman) quase obrigaram roteiristas e desenhistas a utilizarem a fórmula e o design da sétima arte nos gibis. Uma bela sacada mercadológica, sem dúvida, pois imaginem um garoto de 12 anos saindo do cinema ansioso por continuar vivendo o mundo X comprando nas bancas e livrarias um material dos X-Men sem ter nada a ver com os filmes. Seria péssimo, não haveria continuidade. E sem continuidade, o produto não vende por longos períodos de tempo e não ganha mais adeptos. Acho que até o mais inepto dos suckers já entendeu. E faz todo o sentido, e eu não culpo a Marvel nem a DC por isso, pois sou administrador e sei que o mercado consumidor é agressivo e segue ciclos, segue modinhas. Se 20% desses moleques de 12 anos seguir lendo X-Men por um ano ou dois, já representaria uma bela mudança na curva de lucros. Curva essa importante para qualquer editora de comic books (para qualquer empresa, na verdade), ainda mais para a Marvel, que entrou em concordata nos EUA no fim da ultima decada e que, com táticas como essa, se recuperou-- e muito bem.
Mas o tema X-Men me causa muito desgosto, pois é um grupo moribundo, sem energia criativa e que necessita de mudanças radicais. Mudanças essas que jamais ocorrerão, pois seria nadar contra a maré. No meio tempo, a Marvel licencia os mutantes para horripilantes versões mangás e segue na rabeira dos filmes. Tudo mais do mesmo, e faz tempo. E pensar que tudo começou com aquele bom desenho animado há 12 anos...

Enfim Fuckers, recomendo saudáveis leituras de quadrinhos adultos de qualidade, de autores como Miller, Ennis, Moore, Eisner, Moebius. Ou mesmo de linhagem adulto-juvenil, como a série Marvel Millenium e Max. Batman é sempre bom... Podem até ler os faroestes do Tex, que são ótimos. Ou quem sabe, os quadrinhos eróticos de Milo Manara. Ou mesmo Calvin & Hobbes, uma das coisas mais inteligentes já feitas nesse universo. O galês Asterix também, por que não? Angeli, Fernando Gonzales (Niquel Nausea), Glauco, Maitena, Laerte, os caras estão aí, é só procurar. Mas leiam.
E decidam vocês sobre o que gostam ou não, de repente ler Zé Carioca, Garfiled, Cebolinha ou Urtigão podem melhorar seu dia, sua semana. Podem te dar alento após uma discussão de relação com a namorada.
Afinal, são dessas coisas que a felicidade é feita, caralho.